Projeto Agenda Cultural realiza contrapartida social capacitando educadores para formação de plateia

O Instituto ORM deu início no mês de outubro, às ações e estratégias para efetivar a contrapartida social do Projeto Agenda Cultural, promovendo encontros educativos presenciais gratuitos para professores de escolas públicas e instituições do Terceiro Setor dos municípios de Orlândia, Guaíra, Ipuã e Miguelópolis.

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O IORM recebeu ao longo de quatro encontros, com duas horas de duração cada, um total de 18 educadores de escolas públicas dos municípios de Ipuã, EMEB Vereador Alberto Conrado; de Miguelópolis, Escola Municipal Capitão Emídio, e de Orlândia, EMEB Alcineia Gouveia de Freitas, além dos educadores da Sociedade Guairense de Beneficência, a Sogube, de Guaíra.

Os encontros foram realizados fora dos espaços do IORM. Promovidos na Casa Sensorial, do IORM em Orlândia, um espaço distante da sede do Instituto ORM, que recebe a instalação artística concebida e produzida pela coordenadora artística do Projeto Agenda Cultural Valéria Pazeto. A instalação é exclusivamente destinada à formação dos professores e como laboratório de criação do espetáculo artístico cultural que será apresentado à comunidade regional no mês de fevereiro, como produto do Projeto Agenda Cultural.

Os encontros formativos e educativos foram realizados pela coordenadora artística do Instituto ORM, Valeria Pazeto. No dia 5 de outubro, os encontros reuniram os educadores do IORM de Orlândia e Ipuã; no dia 7 de outubro foi a vez de receber os educadores de Miguelópolis, e, no dia 26 de outubro o encontro foi dedicado aos educadores de Guaíra.

Foram realizadas dinâmicas e atividades que promoveram o contato dos professores com o natural, o incentivo à realização de movimentos que possibilitaram o corpo se conectar com os elementos da natureza, levando-os a refletir sobre a importância de utilização desta vivência no processo de ensino-aprendizagem, em busca da promoção do equilíbrio dos alunos, conectando-os ao universo digital e ao contato com a natureza.

Os professores foram convidados a retirarem os sapatos, vendarem os olhos e a auto massagearem os pés, enquanto a sonoridade do ambiente levava suaves cantigas de roda aos ouvidos dos participantes. Em seguida, foi proposto que cada pessoa, com os olhos desvendados, fizesse o reconhecimento do local ao seu redor e se dirigisse ao lugar de sua preferência no jardim. Também aconteceu a exploração do ambiente com as partes e o todo dos pés (calcanhar, lateral direita, lateral esquerda, meia ponta, peito do pé), com variação de velocidade e intensidade, de acordo com a música, criando uma movimentação livre de como brincar com os elementos da natureza presentes naquele ambiente.

Foi solicitado aos professores para descreverem as sensações vivenciadas pela dinâmica, refletindo e relacionando-a com os contextos e lembranças individuais, como também realizarem gravações do seu “brincar” com o espaço, os elementos da natureza – terra, água, ar ou fogo e movimentações livres. O resultado dos vídeos, revelaram simplicidade e sensibilidade como também demonstraram as diversas possibilidades estéticas e poéticas do digital e do natural.

Ao final da formação, os professores foram orientados a ministrar no ambiente escolar essa rica experiência vivida na Casa Sensorial com seus alunos, compartilhando, apresentando e refletindo sobre os conteúdos artísticos culturais referente aos processos criativos do Espetáculo virtual “Pés que Ouvem e Mãos que falam”, que posteriormente será apresentado nas respectivas escolas públicas e organização social, por meio da ação de Disseminação Cultural, produto cultural que também será realizado pelo Projeto Agenda Cultural.

“Sabemos que os professores são essenciais na formação dos seres humanos, e que ao longo de sua profissão são responsáveis em desenvolver em sala de aula a criticidade, sensibilidade, ética, autonomia e o desenvolvimento das dimensões intelectual, social, cultural e emocional, por isso, enxergamos estas escolas e professores como parceiros, que compartilham dos mesmos ideais e objetivos, e temos confiança de que a formação ofertada aos professores será transmitida sabiamente, em vários momentos e ambientes e colaborará com o desenvolvimento integral e de qualidade das crianças e adolescentes.”, destacou o gerente Executivo do IORM, Rafael Albuquerque Braghiroli.

Os encontros proporcionaram diálogos e dinâmicas aplicadas envolvendo especificamente os processos criativos do Espetáculo virtual Pés que Ouvem, Mãos que Falam. O objetivo é o de ampliar o número de pessoas com acesso aos bens e serviços culturais e aumentar o impacto positivo do trabalho realizado pelo Projeto em sua região de abrangência.

“Para o IORM, o processo é extremamente importante para que as crianças, adolescentes e professores participem e interiorizem a riqueza do processo de criação e execução do I Espetáculo Virtual Pés que Ouvem, Mãos que Falam. Este processo evidencia a ligação dos múltiplos aspectos da vida na contemporaneidade com as vanguardas, os movimentos artísticos e o conhecimento ao longo da história e, sobretudo, à conscientização para a importância da arte e da cultura como continentes de identidade, significado e informação. Esta formação envolveu roda de conversa, breves reflexões sobre o trabalho desenvolvido pelo projeto Usina da Dança, suas relações com a Educação e a realização de atividades para compreensão do tema do Espetáculo de 2020.”, conta Valeria.

As atividades e dinâmicas propostas na formação foram pautadas pela temática Natureza versus Digital, inspirada pela tentativa de conectar natureza e digital, pensando no ser humano como natureza, e apoiada no livro Brinquedos do Chão de Ghandy Piorsky, como uma iniciação prática do desenvolvimento dos trabalhos para a realização do primeiro espetáculo virtual da Usina da Dança, que propôs a harmonização entre natureza e digital e cujo título deriva desta primeira oficina: “Pés que Ouvem e Mãos que Falam”.

A referência teórica valoriza a descoberta e o contato das crianças com o chamado primitivo, demonstrando a importância dos elementos da natureza – terra, água, ar e fogo – para o fomento da imaginação e da sensibilidade aliada aos cinco sentidos do corpo (visão, audição, olfato, tato e paladar). Essa vivência também vem instigar a observação do contato cru e direto com a matéria, que repercute em um centro corporal, um núcleo de conscientização do ser. Segundo Piorsky: “O corpo a corpo com a matéria acorda os sentidos que, por sua vez, repercutem vontades imaginárias no ser. Cada contato com a vida formal, com as formas materiais promovem um dinamismo onírico (pensamento inconsciente), uma conscientização corpórea. É um campo de estudos do Brincar que se vincula no nascimento da consciência, juízo analítico.”

A busca pelo equilíbrio entre o universo digital e a natureza, mais do que nunca, neste período pandêmico, se torna extremamente importante, devido ao impacto causado à vida emocional e ao comportamento, quando ultrapassamos o tempo recomendado de uso de aparelhos eletrônicos e conectados à internet, mas também atentos ao fato que não queremos, e não podemos, nos desconectar da rede e do universo digital.

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