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Prof. Vito Corrado Vella: A Higiene no Império Brasileiro

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A HIGIENE NO IMPÉRIO BRASILEIRO 

-Prof. Vito Corrado Vella 

No Império Brasileiro, era comum as carroças levarem os dejetos recolhidos em barris hermeticamente fechados para pontos distantes nas cidades. Em todo o século XIX, tivemos um inchaço populacional, lembrando que o sistema de esgoto ainda não existia. 

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Nas cidades, o tratamento dado aos dejetos líquidos era motivo de queixas dos moradores, pois era hábito comum o despejo dos penicos do alto dos sobrados, sem perdoar quem passava distraído pela rua, a qualquer hora do dia ou da noite. Sempre tinha alguém que ficava à espreita por trás das janelas dos sobrados, esperando passar “algum amigo” para “honrá-lo”, com excrementos atirados pela janela. 

Em 1831, a câmara municipal do Recife editou um regulamento sobre o arremesso para a rua que só poderia ser feito à noite, e, mesmo assim, após ser dado um aviso prévio por três vezes seguidas: “Água vai!…Água vai!…Água vai!”. O infrator estava sujeito à multa e deveria pagar uma indenização pelos prejuízos causados; importante destacar que a lei não “pegou” e os banhos continuaram de acordo com a popularidade da vítima. 

O naturalista britânico Charles Darwin, de passagem pelo Recife,  em 1836,  disse: “as ruas são estreitas, mal calçadas e imundas”. Era comum se “aliviar”, em qualquer lugar, até mesmo em chiqueiros de porcos, e era considerado indelicado olhar ou cumprimentar alguém que estivesse se aliviando nas ruas. 

Existia, sim, o medo do banho  e havia o hábito de “limpar-se a seco” com um pano úmido, disseminado em todas as classes sociais. Para o asseio usava-se o sabão feito com cinzas e também lavavam-se os cabelos; o vinagre afastava moscas e evitava o mau cheiro. Carvão e álcool clareavam os dentes. A higiene diária das partes íntimas, não acontecia numa mulher honrada. 

Foi por volta de 1870 que os banhos de rio, nu passaram a ser proibidos por posturas municipais e a mentalidade da falta de banho  era natural. No máximo, esfregações com vinagre, lavar as mãos antes das refeições, o uso de roupas brancas limpas e perfumadas  asseguravam a autoestima e a sensação de se “estar limpo”, pois o cheiro corporal era visto como algo “natural”. 

A cabeça raramente merecia cuidados, ficando a cargo das mulheres catar os piolhos. Já os homens derramavam sobre seus cabelos o perfumado óleo de Macassar. 

Não esquecendo que com a vinda da família real portuguesa ao Brasil, as mulheres apresentavam as cabeças raspadas, resultado de uma infestação de piolhos durante a viagem marítima e os turbantes apenas uma solução emergencial para tentar disfarçar o deplorável visual, cuja moda foi seguida pelas brasileiras, acreditando se tratar da moda europeia. 

Não resta dúvida, que no final do século XIX, a moda, as novidades no campo da beleza, ganham espaço nas grandes cidades, com uma grande variedade de cremes, até mesmo as tinturas para cabelos de ambos os sexos contra a batalha dos cabelos brancos das barbas e bigodes.

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