Lívia Mattos é indicada ao Grammy Latino 2026 com Verve
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Lívia Mattos foi indicada ao Grammy Latino 2026 na categoria Melhor Álbum de Jazz Latino/Jazz com Verve, seu terceiro álbum autoral. A artista é a única brasileira, mulher e acordeonista entre os indicados, ao lado de Caracas Trio, Alex Conde, Gonzalo Rubalcaba e Miguel Zenón Quartet.
Para Lívia, a indicação representa o reconhecimento de uma trajetória dedicada à pesquisa de uma linguagem própria, construída a partir de suas composições, de seu instrumento e de sua voz. Sua identificação com a categoria jazz passa justamente pela liberdade de criação e pela possibilidade de escapar de definições rígidas de gênero.
“Verve é resultado de muitos anos de desenvolvimento de linguagem do meu trabalho autoral. E a busca é justamente por levar o acordeom e as referências de onde venho – e por onde cruzo – para além do óbvio, borrando as margens das definições, sobretudo pra um instrumento tão emblematizado como o acordeom. Ou seja, busca fugir de categorizações. Mas a categoria jazz, nesse lugar de liberdade, me representa, me sinto representada. Além do mais, sendo a única brasileira, a única mulher, a única acordeonista entre os concorrentes. Emocionante.”
Lançado pelo selo YB Music, Verve encerra a trilogia iniciada com Vinha da Ida (2017) e seguida por Apneia (2022), consolidando a formação que Lívia desenvolve há anos ao lado de Jefferson Babu (tuba) e Rafael dos Santos (bateria).
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Com uma instrumentação enxuta – sanfona, voz, tuba e bateria -, o trio amplia suas possibilidades sonoras com pedais, efeitos e o estúdio como instrumento criativo. O resultado mantém o caráter híbrido entre música instrumental e canção, eixo que atravessa a trajetória autoral da artista.
“Esse álbum fecha a trilogia dos meus três primeiros, consolidando esse lugar híbrido entre o instrumental e a canção”, resume Lívia.
Produzido por Alê Siqueira, que também assinou Vinha da Ida, e com Paulim Sartori como codiretor musical, Verve dá continuidade à pesquisa de Lívia, em um trabalho atravessado pelo impulso criativo, pelo deslocamento e pela impermanência.
A abertura ao encontro também aparece nas participações do álbum. A cantora e musicista indiana Varijashree Venugopal participa de “Caucaia”, enquanto a senegalesa Senny Camara contribui com kora e voz em “Ndoukahakro”. O disco traz ainda “Mundo Verde Esperança”, de Hermeto Pascoal, e “Como Se Fosse o Mar”, parceria inédita de Lívia com Ivan Lins e Thais Nicodemo.
Nascida em Salvador (BA), Lívia Mattos é acordeonista, cantautora, circense e socióloga. Com seu trabalho autoral, lançou Vinha da Ida (2017), Apneia (2022) e Verve (2025), e já se apresentou em festivais como Womex (Espanha), Akkordeon Festival Wien (Áustria), Accordions Around the World (Estados Unidos), Macau International Parade (China), FMM Sines (Portugal) e MASA (Costa do Marfim). Como instrumentista, integrou a banda de Chico César por oito anos, foi solista convidada da Orquestra Sinfônica da Bahia e colaborou em shows e gravações com artistas como Rosa Passos, Badi Assad, Vanessa da Mata, Ceumar, Johnny Hooker e Alessandra Leão.
A indicação ao Grammy Latino chega em um ano de intensa circulação internacional. Em 2026, Lívia realizou três turnês com seu trio, passando por Áustria, Senegal, Peru, Polônia, Bélgica e Alemanha, além de apresentações no Brasil. Em maio, esteve no Senegal, onde se apresentou no Stereo Africa Festival, em Dakar, e no Saint Louis Jazz Festival; no mesmo mês, participou de show de Susana Baca no Gran Teatro Nacional, em Lima. Em julho, levou Verve a festivais e palcos da Polônia, Bélgica, Alemanha e Áustria. Uma nova turnê internacional está prevista para novembro, com passagens por Dinamarca, Suíça, Suécia, Itália e Portugal.
