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O filme do papai

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Recentemente, digo há mais de dois meses, o festejado jornalista e biógrafo Fernando de Morais, que escreveu biografia de vidas riquíssimas, inclusive a de Assis Chateubriand e agora lança o segundo volume da vida de Lula, perguntado se Jair Bolsonaro seria pessoa que seria bom biografar. Não é bom –responde– para ser biografado, pois ele é “raso”. Eis o mesmo que dizer personalidade tosca, sem brilho ético, o mesmo da mesma mesmice, com ideia fixa, que o torna perigoso…

Isso não significa que não se deva escrever sobre ele, mas para uma biografia colocada no patamar elevado das demais, não pode ter pobreza espiritual, ética e moral.

Mas, o filho Flavio, impoluto candidato à presidente do Brasil, estava articulando um filme para o seu papai.


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O espírito vassalo é tão coerente na família que o título do “Filme do papai” seria em inglês “Dark House”. O vídeo da conversa transcrita constitui uma suave e verdadeira súplica vassala pelos milhões faltantes, que seriam transferidos, como os valores anteriores, não para uma empresa de produção cinematográfica, mas para uma empresa do advogado de seu irmão Eduardo Nantes Bolsonaro, egresso do Brasil, como deputado que se destinou a lutar contra o seu país, lá no Texas.

Mas, a notícia caiu como uma bomba, não por causa do filme, mas pelo dinheiro pedido para Vorcaro, justamente às vésperas de sua prisão.

O valor do tal filme é simplesmente astronômico.

Esse valor e o destino de sua remessa revelam prováveis apropriações indébitas, obtidas por ou através do político em exercício de  mandato senatorial, que representa um Estado da Federação, exatamente do Rio de Janeiro, cuja dignidade do mandato não suporta negociatas de nenhum valor, ainda que o pai fosse um santo, sem querer ofender a santidade de nenhum verdadeiro santo, com essa forçada comparação.

A contradição é que esse senador lidera a escumalha opositora da chamada Lei Rouanet—– “Essa Lei (que) busca estimular, fomentar e difundir a produção e a preservação cultural, principalmente por meio de incentivos fiscais concedido a pessoas físicas e jurídica” —. Tanto forçaram que além dessa oposição ferrenha, não tiveram vergonha de contratar cantores sertanejos, por uma fábula de preço, durante o governo do papai do filme biliardário, para apresentação, em regra, em cidades pequenas cujo orçamento da Prefeitura ficava magérrimo, prejudicando toda política pública necessária ao bem estar e segurança da população, só para satisfazer o interesse político no canto do cantador, que se convertia em comunicador eleitoral. Era um dado no mapa da preparação do golpe de 8 de janeiro, fracassado.

O valor total da transferência prometida era de 134 milhões de dólares, que o vídeo capturado pela Interceptas aponta, e parte desse valor já teria sido entregue num total de 62 milhões.

Para a consciência cidadã do Brasil, indiquemos quanto custaram filmes recentes concluídos, e ainda mais os dois filmes que ganharam prêmios e prêmios no Brasil e no mundo. Vejamos:

  1.  A Substância (2024) – 17,5 milhões de dólares
  2.  Priscilla (2023) –  20 milhões de dólares
  3. Conclave (2024) – 20 milhões de dólares

Enquanto os filmes premiados tantas e tantas vezes gastaram para obterem os sucessos nacional e internacional:

  1. Ainda estou aqui: R$ 45 milhões de Reais
  2. Agente Secretoo: R$ 28 milhões de Reais

A diferença das despesas, entre o “Filme do papai” e os demais já concluídos e lançados, revela que a trama envolvendo o banqueiro do fraudulento Banco Master e um escritório de advocacia dos Estados Unidos, que dá cobertura ao irmão Eduardo só pode caracterizar fortíssima suspeita pelos indícios gravíssimos e veementes de que nesse mato têm roedores de proa, que precisariam estar engaiolados.

O final desse registro não pode deixar de ser o comovente compromisso do senador Flávio dirigindo-se sinceramente a Daniel Vorcaro:

“Fala irmãozão, estou e estarei contigo sempre”.

 

* As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor e não refletem, necessariamente, a posição editorial do Jornal Novacidade.

 

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