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Todos somos políticos

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Por Feres Sabino – Adv

Todos nós somos políticos. Todos nós devemos saber que nossa vida, nosso conforto, nossa educação, nossa economia, nossas finanças, nosso trabalho, nossa aposentadoria, as condições ambientais de nossa vida, tudo é decidido no âmbito da política. Ignorar isso é terceirizar nosso destino, alienar o conhecimento da verdade, que nos rodeia e nos domina. Nos bastamos com o ato de votar, até mesmo sem saber em quem votemos, pois às vezes nos curvamos simplesmente a um pedido amigo, ou quem abriu a mão para um favor.

Essa vocação para estar condenado à alienação é pessoal e é social.

Por exemplo, nas associações de classe, em regra, tem uma proibição, quanto à prática da política em seu interior. A cultura da alienação generalizada traduz essa proibição de forma absoluta, que representa uma condenação à alienação. Na verdade essa proibição é restritiva, já que a proibição estatutária se refere necessariamente à política partidária.

Esse cancelamento geral da política numa associação é um contrassenso, já que a política tem seu pertencimento fincado na vida social, em qualquer espaço institucional. A política é ínsita à vida social, está em qualquer associação.


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Cada associação na verdade deve ser, ou é, uma escola de civismo e de cidadania. Por exemplo, uma Associação Comercial e Industrial deve educar seus associados, inclusive quanto à desindustrialização do Brasil, que até 1980 crescia exponencialmente, e essa questão afeta o comércio, o emprego, atualmente sujeitos ao impacto da tecnologia digital., A Igreja Católica não organiza a divulgação das Encíclicas papais, apesar dos padres pregarem diariamente. Para não dizer das nossas Câmaras Municipais que não discutem assunto de política nacional e estadual.  A circulação de veículos nas ruas da cidade está privatizada? É a empresa dos ônibus urbanos que traçam seu roteiro, sem considerar eventualmente o interesse de comerciantes? E a licitação dos contratos dos transportes em que a vencedora é empresa ligada ao crime organizado, e como não nos interessamos pela licitação? A cidade de Ribeirão Preto vive a sina de não modernizar os semáforos. Muitas cidades vizinhas podem servir de modelo, mas no caso a licitação vale, ilegalmente, para todo sempre. E a história do vai e vem do Centro Administrativo com a troca de imóvel com os Maristas? Felizmente houve desistência do Poder Executivo. N entanto, não  se viu editorial de imprensa ou rádio tomar posição, discutir o cabimento ou as alternativas mais racionais, menos onerosas, mais eficientes e produtivas. As Universidades poderiam direcionar com inteligência e criatividade das discussões dos colegiados locais.

Parece que ninguém tem a obrigação de pensar a cidade e o seu futuro.  

Até o debate na Câmara Municipal é pobre.

O disfarce da regência do Poder Executivo na votação da Câmara é revelado pela pobreza do debate, presa às benesses distribuídas pelo regente.

Cada Associação deve ser um centro cívico e de cidadania, não só para cantar nosso hino, mas para conhecer a realidade de sua cidade, de seu estado, e do Brasil real, suas diversidades, sua riqueza, seu potencial econômico e cultural, para saber de verdade o perigo da pirataria internacional, hoje em voga, pelo império em decadência.

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