Operação Lilás: entenda o trabalho da Patrulha SP Mulher Segura no combate à violência contra as mulheres
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A viatura da Polícia Militar (PM) para em frente à casa de uma mulher que já denunciou violência doméstica. Desta vez, a equipe não foi acionada para atender uma ocorrência. Os policiais voltaram para saber como ela está. Esse é um dos trabalhos realizados pelas viaturas da Patrulha SP Mulher Segura, que acompanha vítimas de violência doméstica após denúncia contra os agressores.
Nesta sexta-feira (7), durante a Operação Lilás, 25 viaturas foram mobilizadas para realizar visitas de acompanhamento e suporte preventivo. A ação integra as atividades do Agosto Lilás, campanha que marca os 20 anos da Lei Maria da Penha em todo o estado de São Paulo.
A mobilização reúne cerca de 140 policiais militares em duas frentes de atuação. Enquanto as equipes da Patrulha SP Mulher Segura visitam as vítimas, 16 viaturas da Força Tática saem às ruas para cumprir mandados de prisão expedidos pela Justiça contra agressores.
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As visitas são agendadas e feitas por policiais militares especializados no atendimento a casos de violência doméstica. Cada viatura conta com pelo menos uma policial feminina, preparada para acolher vítimas que ainda enfrentam traumas e dificuldades para relatar as agressões.
Durante as visitas, os policiais verificam se a mulher voltou a sofrer ameaças, avaliam como está o convívio familiar, além de orientar sobre direitos e medidas protetivas. A equipe também orienta sobre os serviços públicos quando há necessidades que vão além da segurança pública.
“O objetivo é mostrar que ela não está sozinha. Muitas vezes, a vítima se surpreende quando a policial chega à casa apenas para saber como ela está, verificar se o ambiente continua seguro e entender do que ela precisa para seguir em frente”, afirma a tenente Camila Aires, que faz parte da PM há 18 anos.




Dependendo da situação, com ajuda da assistência social, a mulher pode ser encaminhada para atendimento psicológico, suporte jurídico, programas de autonomia financeira e até abrigos sigilosos, quando há risco à integridade. O objetivo é garantir que a mulher tenha condições de reconstruir a vida longe da violência.
Para o secretário executivo da Segurança Pública de São Paulo, Hengel Ricardo Pereira, o acompanhamento ajuda a evitar que casos de violência doméstica evoluam para crimes mais graves.
“A violência muitas vezes escala. Ela começa com agressões dentro de casa e pode terminar em um feminicídio. A busca ativa e as visitas solidárias permite acompanharmos as vítimas e reforçam as políticas de proteção às mulheres do Governo de São Paulo”, afirma.
A Tenente Ayres explica que a maioria das vítimas aceita receber as equipes da Patrulha SP Mulher Segura e, quando há recusas, as mulheres falam que são por compromissos pessoais.
Ela ressalta que a presença da PM é importante porque muitas mulheres nem percebem que vivem uma situação de violência. “Já atendi uma ocorrência em que uma jovem de 20 anos teve um dedo cortado no dente pelo companheiro. Quando perguntei se aquela tinha sido a primeira vez, ela respondeu que não. Antes, havia xingamentos, objetos jogados e empurrões, mas ela não percebia aquilo como violência”, complementa.
A Patrulha SP Mulher Segura integra as ações do programa SP por Todas, iniciativa do Governo de São Paulo para combater a violência contra a mulher. Além do acompanhamento presencial, as vítimas têm à disposição a Cabine Lilás e o aplicativo SP Mulher Segura.
A rede estadual conta ainda com a atuação de 235 salas DDMs online e 144 Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs).
