Circulação do Álbum “Retinta” de Kamila Andrade, ocupa espaços em Ribeirão Preto
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Contar sua vivência, memória e trajetória em forma de música, palavra e posicionamento político norteou a MC ribeirão-pretana Kamila Andrade na produção de seu primeiro álbum e projeto artístico-cultural, Retinta. O trabalho reúne 14 faixas autorais e está em circulação por meio de uma “turnê” por Ribeirão Preto. Lançada no dia 31 de janeiro, a iniciativa afirma o rap como ferramenta de resistência cultural e transformação social e segue agora para uma apresentação, no dia 15, na Cerâmica São Luiz (Rua Municipal, 2-30 – Ipiranga – dentro do Estacionamento do Carrefour da Via Norte), com entrada gratuita e aberta ao público.
“Eu decidi contar a minha própria história, porque ser MC é trabalhar com arte da palavra. Existe um colonizador dentro da gente que também pode contar nossas histórias por nós, e eu não queria isso”, afirma Kamila Andrade. O projeto marca o primeiro álbum da artista, um disco independente construído ao longo de um processo que ela define como amadurecimento artístico e pessoal.
A produção do álbum começou há um ano, mas as músicas foram escritas ao longo de 16 anos de trajetória de Kamila, iniciada ainda na adolescência, nas batalhas de rima e em projetos socioculturais. “Eu escrevo desde os meus 15 anos. Esse projeto começou ali. É uma vitória para mim conseguir materializar algo tão meu e mostrar para as outras pessoas, para que elas possam se identificar com a minha história também”, comenta a MC.
Quem ouve Retinta percebe que o álbum dialoga com diferentes estilos musicais, como rap, funk, samba, drill e blues — uma diversidade que reflete a própria dinâmica de vida da artista. “Eu nunca gostei de rotina, nem de repetição. A quebra de gênero traz uma dinamicidade para os ouvidos e deixa o álbum mais orgânico. A minha vida sempre foi assim, diversa”, explica Kamila.
Participações especiais
O álbum conta com sete participações especiais, conectando artistas de Ribeirão Preto e do Rio de Janeiro, em colaborações que surgiram de forma espontânea durante o período de gravação da artista na capital carioca. “Nada foi muito planejado. As coisas foram acontecendo de forma orgânica, e isso agregou muito ao disco”, relata. Entre os nomes estão Bidi, Spike, Ferdnam, Jovem Kata, Paína, Alex Gaita, Quimera e Avinny.
O projeto Retinta foi financiado pela Política Nacional Aldir Blanc, por meio do Edital de Chamamento Público nº 006/2024, de incentivo a projetos de produção, circulação e difusão artística no município de Ribeirão Preto.
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Com esse apoio, foi viabilizada a etapa de gravação do trabalho, permitindo que a artista permanecesse por oito dias no Rio de Janeiro em processo criativo e de produção no estúdio do produtor musical Terror dos Beats, sócio da gravadora “Isso Que É Som de Rap”.
Por que “Retinta”?
O nome do álbum sintetiza o conceito central do projeto e carrega uma afirmação direta sobre negritude, pertencimento e enfrentamento ao racismo estrutural, especialmente no contexto do interior. “Fala do tom de pele da mulher negra, que muitas vezes não é aceita pela indústria musical. Retinta é a revolução da mulher preta gritando que nosso som é bom e precisa ser ouvido, não por cota, mas por qualidade”, afirma Kamila, ao destacar a importância de ocupar espaços e disputar narrativas no cenário.

Volta as origens
Além do álbum físico, Retinta se desdobra em uma série de apresentações gratuitas, pensadas como ações de acesso à cultura e ocupação de espaços. O lançamento aconteceu no dia 31 de janeiro, no Coletivo Fuligem, na Vila Tibério, seguido, no dia 8 de fevereiro, por uma apresentação no campo do Jandaia FC, dentro de um evento de batalha de rima.
O encerramento acontece no dia 15 de fevereiro, na Cerâmica São Luiz (Rua Municipal, 2-30 – Ipiranga – dentro do Estacionamento do Carrefour da Via Norte), com entrada gratuita e aberta ao público. “Voltar para as batalhas de rima com meu próprio álbum é simbólico. Nunca cheguei no gueto de mão vazia, trouxe poesia para o meu povo preto”, destaca.
Com elaboração e produção de Jeh Cardoso, direção artística de Vinicius Preto e produção musical de Terror dos Beats, Retinta se consolida como uma ferramenta de resistência cultural e transformação social, ampliando a visibilidade do rap feito fora dos grandes centros. Kamila Andrade afirma que o projeto segue em circulação e deve ganhar novas etapas ao longo do ano, com apresentações pelo interior paulista e o início da construção de um segundo álbum. “Retinta é isso: neta de macumbeira e filha de crente. É quem eu sou”, conclui a artista.
SERVIÇO:
Apresentação de Kamila Andrade na Cerâmica São Luiz
Data: 15 de fevereiro, domingo
Horário: 16h
Local: Cerâmica São Luiz (Rua Municipal, 2-30 – Ipiranga – dentro do Estacionamento do Carrefour da Via Norte), em Ribeirão Preto.
Entrada: Gratuita e aberta ao público.

