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A soberania do Brasil e o espírito do vira-lata

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A soberania da Venezuela finalmente sofreu o ataque espetacular da cibernética e das armas norte-americanas, sequestrando, é o termo correto e não capturando, o seu Presidente da República. A soberania e a autodeterminação dos povos, regras do direito internacional e da Constituição do Brasil, foram atropeladas, assim nua e cruelmente, como um ato de quase desespero do império colonialista declinante, que carrega na sua conta a dívida de trinta e sete trilhões de dólares. Essa montanha só foi possível porque o Estado invasor, durante anos e anos, se dedicou a matar, derrubar governos ou gerar antes suas instabilidades. Este império que nunca deixou crescer nenhuma economia, no seu quintal da América do Sul. A técnica dessa invasão sofisticou-se crescente e devastadora com a grande farsa da chamada Lava Jato, que destruiu empresas nacionais, concorrentes vitoriosas no exterior, o que incomodavam os donos do mundo. A “quinta-coluna” nacional e togada destruiu as nossas empresas, criando quatro milhões de desempregados e destruindo, por exemplo, a indústria naval brasileira.

Mas a maior estranheza é o apoio de brasileiros à desfaçatez do sequestro, que tinha narrativa de narcoterrorismo. Esse episódio nos recorda o avanço do retrocesso, pois,  se antes de 1964, era o partido político da UDN (União Democrática Nacional), que chamava os militares para interromper a experiência democrática com a vitória eleitoral do PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), agora, a vergonhosa, ridícula e antecipada sujeição ao Trump, cujo boné usado pelo governador de São Paulo, como um símbolo perverso para nossa cidadania, vai até o clamor para forças estrangeiras bombardearem a Guanabara (proposta do senador das “rachadinhas”). Como se não bastasse deputado federal viajando com nosso dinheiro articular no governo estrangeiro para taxar produtos brasileiros, atingindo nossa economia. A Constituição do Brasil, jurada por todos os políticos, impõe como diretriz de discurso oficial princípios a serem jurados, obedecidos e disseminados, dentre os quais o da autodeterminação dos povos e o princípio da soberania.

A jornalista Maria Cristina Fernandes (in: Valor Econômico, A-9, edição do dia 3,4,5) analisa a propósito: “…os governadores Tarcísio de Freitas, Romeu Zema e Ratinho Jr., além de liderança de direita, como o Presidente do PSD, Gilberto Kassab, resolveram jogar suas fichas no apoio a Trump, cerrando fileiras com o bolsonarismo. Mais do que o apoio do eleitorado, que apoia Trump no tema, o interesse, na visão dos interlocutores do governo, estaria na aposta do ´tarifaço II´, uma nova interferência americana na política doméstica, como maior cartada eleitoral da oposição na sucessão presidencial”.

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Enquanto essa liderança dá o mal exemplo do desrespeito à soberania e a dignidade nacional, outro jornalista, Edward Luce, do Financial Time, na mesma edição, página A 10, acrescenta a segunda questão para o parlapatice de Trump, em relação a sua prometida administração da Venezuela, sugerindo que esse episódio histórico brutal ainda não está terminado. Lembre-se que as instituições venezuelanas fizeram a vice-Presidente assumir o cargo de Presidente, em caráter interino, já que proclamam que o Presidente ainda é  Maduro sequestrado, o que não abre possibilidade, por lei, de convocação de novas eleições. Assim, o regime chavista continua como está, sem a pecha mentirosa de narcoterrorista, e com seu Presidente sequestrado. O que motivou esse ato de pirataria foi, outra vez, e unicamente, a fome de petróleo, que desta vez não poderia causar a mesma frustração ocorrida com a invasão do Iraque, em 2003. Destruíram aquele país, depois de armá-lo para a guerra de sete anos contra o Irã. A frustração daquela invasão ocorreu porque as grandes empresas chinesas ocuparam grande parte da indústria iraquiana.

Mas, os tais políticos brasileiros, ambiciosos, dão a medida de seu espírito de vira-latas.

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