Essa incrível mulher!

O método de administração empresarial muitas vezes é reclamado para ser repetido na administração pública.

Há a diferença substantiva, no entanto, entre uma e outra. Na administração empresarial o objeto é o lucro, sem poder ignorar sua dimensão social. Na pública não existe lucro, porque o objeto prevalecente é o interesse público, é o bem comum. Tanto que nas finanças públicas, quando há resultado negativo, se fala em déficits, e quando esse resultado é positivo, se fala em superávit.

Esse assunto não exclui que do mundo empresarial há e surgem motivos e ações que podem ganhar a dimensão de política pública, mais próxima de uma realização de justiça.

-A matéria continua depois da publicidade-

Essa singela reflexão está provocada pelo conhecimento revelado pela dimensão humana, social e cívica que a empresária Maria Luiza Trajano (Magazine Luiza) tem disseminado pelo país, e particularmente no programa Roda Viva, da Tv Cultura.

Se sua formação universitária foi na Faculdade de Direito, a verdade é que sua visão aberta e larga, dir-se-á global, está na esfera do conhecimento intuitivo, que apresenta a vibração do caminho, para depois ela cuidar das letras e teses que possam ilustrar a sua comunicação.

Empresária aberta à inovação, fez com que sua rede de lojas se esparramasse pelo país, sem perder a sensibilidade humana, uma vez que não distingue idade, sexo, cor, no governo de seu conglomerado de lojas.

Tem o verbo de assumir a carga discriminatória trazida pelo patrimônio acumulado por trezentos e cinquenta anos de escravidão, registro da verdade histórica que serve à política de sua empresa.

A crise pandêmica não foi causa de desemprego, reclama corajosamente a falta de unidade na coordenação nacional da política sanitária, inclusive. E ensina, sem o querer, aos políticos, civis e militares, sua devoção à democracia e à certeza de que “ninguém salva este país sozinho”.

Sua delicada saída para não entrar no jogo sujo da política atual é proclamar claramente que é preciso união, o que sugere um projeto nacional que pode acontecer até com a formulação de um programa mínimo que unisse as formas políticas e representativas da sociedade civil brasileira.

Fica claro sua intransigente devoção à democracia, à tolerância e ao respeito com o outro. E o seu Movimento de Mulheres, que reúne setenta e cinco mil, professa a simplicidade de como se constrói mais um degrau para maior tranquilidade na vida privada e esperançosa certeza na vida pública.

Vejam a clareza dessa consciência militante que serve de modelo aos dinossauros de nossos governos atuais: “O Brasil precisa de um plano estratégico de dez anos”.

Sua entrevista na Tv Cultura ocorreu no começo da semana, antecipando o sinal de uma consciência que se expande, dado que no final da mesma semana, o suplemento do jornal Valor  Eu & Fim de Semana (9/10)veiculava matéria sob o título“Empresários em alerta”, diante do fato de que “no Brasil, até o passado é incerto”. O presidente do Grupo Ultra, Pedro Wongtschowski, é categórico: “No Brasil há um empobrecimento das instituições, por causa de (o presidente Jair) Bolsonaro”. Enquanto Pedro Passos da Naturaafirma: “As instituições democráticas ainda estão em pé, mas sob constante ataque o governo atual dá clara indicação de que não valoriza os princípios democráticos”  e ainda completa  “Há pouco diálogo do governo com a sociedade. Espero que as elites, a academia, as associações da sociedade, fiquem alertas para não deixar esse processo evoluir”. Dentre outros, Horácio Lafer Piva, acionista da Klabin e ex-Presidente da Federação das Indústrias, aponta: “O Brasil está em um momento muito delicado de sua trajetória democrática, isso porque Brasília desconhece a gravidade das crises simultâneas que acometem o país, de ordem sanitária, ambiental, política, social e econômica”.

Com um plano estratégico, o Brasil não se entregaria como vassalo a interesses geopolíticos.

Essa simples e incrível mulher, que não se cansa de atuar pelo Brasil, pode ser vista nesse plano como semeadora de um sentimento de nação.

Maria Luiza Trajano, eis o justo motivo de nossa homenagem. 

https://advogadoferessabino.wordpress.com

Comentários

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.