Colunistas

Os símbolos sequestrados e a Copa

O Brasil viveu, e agora em menor escala está vivendo, um período ruidoso de apossamento quase privado dos símbolos da pátria: a bandeira e as cores nas camisas. O discurso de adoção desse sequestro terminava com DEUS, que estaria por cima de todos e de tudo. E, subliminarmente, esse Deus era um forte eleitor, acompanhando e aderindo, paradoxalmente, ao discurso do ódio.

Não foi a primeira vez, nem será a última, que Deus que sempre foi o Deus do Amor, nessa fase histórica, aparece como Deus do ódio, da ruptura, da divisão.

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No entanto, o sequestro dos símbolos vai estourar-se de vez, por conta de um acontecimento, que está só na escala do humano. É a Copa do Mundo.

O Brasil com sua equipe canarinha, treinada para ser campeã, faz com que todos assumam uma atitude de civilidade cívica, gritando uníssono Brasil, Brasil.


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Assim, os idiotas de todo gênero que criticam e querem a separação dos nossos irmãos nordestinos, por exemplo, vão olhar de lado e verificar, quem sabe, um deles, ou mais deles, iguaizinhos, no mesmo grito de Brasil, Brasil.

E Deus acima de todos e tudo, agora sorrindo, porque a estupidez foi afastada, ainda que temporariamente.

Não se sabe o porquê de tanta discriminação de cores (negro, branco, pardo), não se sabe o porquê de tanta incompreensão em relação ao nosso passivo social, não se sabe o porquê de o mesmo grito solto da boca do pobre e do rico não permitir que um não veja no outro a miséria material que o congela no patamar social que não autoriza a mobilidade para cima.

O grito é sempre igual, poque pobre e rico, branco ou preto ou pardo, têm a mesma forma de fonia, a voz e a voz de um e de todos, as almas e suas afinidades, mas é na formação da cabeça que repousa a tida por natural desigualdade econômica.

Terminada a copa, campeã ou não. Os símbolos ficam no mesmo lugar.

No entanto, se elas cobriram os corpos que gritaram numa só voz a mesma expressão; se tiveram durante tantos dias uma fé comum, um objeto certo, uma construção única, um desejo de unidade na vitória, não se pode dizer que elas terão o mesmo significado, depois que o evento passar.

A torcida comum, numa Copa, espera-se que seja como uma água benta na cabeça dos sequestradores de símbolos nacionais, porque os símbolos pertencem a todos.

Esse dia seguinte há de mostrar às pessoas de boa ou má-fé, aos honestos e aos desonestos, aos otimistas e aos pessimistas, que os símbolos da nação, que pertencem a todos, devem ser reverenciados por todos, proibindo-se a utilização deles por um grupo, aguerrido ou não, violento ou não, com ou sem apoio de militares. Os símbolos são nossos, como o Brasil é nosso.

Vestir uma camisa igual à que vestiu alguém de quem discordei, porque falaram que Deus estava de acordo com os pregadores da violência, e pacificamente gritamos Brasil, Brasil, e fomos até capazes de chorarmos juntos pelo mesmo motivo de vitória ou derrota, é porque artificialmente alguém ou algum grupo estabeleceu um meio matreiro para intoxicar almas e espíritos até de quem sempre preferiu a paz ao invés da guerra. A bandeira e as mesmas camisas cobrindo corpos com a voz gritando a mesma fé. Como podemos ficar tão divididos?

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