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Avanço tecnológico incomoda o Poder Público?

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Por Feres Sabino

O avanço tecnológico aproxima no mundo pessoas, países e suas crises e suas mortes, seu crescimento e seus exemplos, fazendo com que ele seja considerado verdadeira aldeia global. Aliás, esse avanço permitiu pela primeira vez que as razões mentirosas de uma guerra brutal, como foi a dos Estados Unidos contra o Iraque, fossem antecipadas e simultaneamente conhecidas do mundo todo. E a credibilidade do país agressor iniciasse crescentemente a rachadura de seu tecido social, tal como acontece com Israel depois do inacreditável genocídio testemunhado pelo mundo.

No Europa, já houve voto de confirmação de uma Assembleia Constituinte, mediante o uso do meio digital.

Em Ribeirão Preto, o andor anda para trás, já que a Prefeitura e nela o Prefeito e seus Secretários não divulgam e-mails institucionais, assim como os Vereadores, todos se achando blindados da suposta e imaginária “fúria” popular, que julgam poder acontecer, até inspirados em algum sentimento de culpa, quem sabe?

O fato é que o avanço tecnológico deve ser posto a serviço da experiencia global do ser humano, em todas as vertentes e espaços explorados pela inteligência criadora.

Não adotá-lo,no serviço público, constitui verdadeira confissão de atraso e compasso de espera negativa para o que se pretenda construir como democracia.

Essa atitude é irmã-gêmea do negacionismo que tanto falou contra as vacinas, e só para  os incautos que nele acreditaram. Agora, o medo de todos é do retorno das doenças, para si e para seus filhos. O sarampo já é retorno anunciado.  E na trilha dele eis as doenças antigas, então consideradas desaparecidas, que possivelmente retornem, graças à queda do índice vacinal, com o qual o Brasil foi exemplo para o mundo.

Esse medo propagado da inutilidade da vacina está na propalada desnecessidade da expansão da vigilância e da fiscalização pública, originado no DNA da politicagem, que se apresenta com a máscara nova, no rosto da mediocridade exposta como talento novo.

Esse sintoma do medo da tecnologia e seus produtos pode ser apontado na administração pública de Ribeirão Preto. Tanto é assim que a cidade, há tempos, espera do Poder Executivo e de seus vereadores uma explicação convincente do porquê se instalam na cidade somente semáforos antigos. Por que será? Por que não instalam semáforos modernos na cidade? Os semáforos modernos são encontrados nas pequenas e grandes cidades situadas nas cercanias de nosso município.

Certamente aconteceu uma última licitação? Quando ela teria ocorrido? Quantos possuíam em estoque? quantos foram adquiridos? Quantos semáforos ainda temos para instalar? Qual a previsão para podermos ingressar na era da modernidade técnica dos semáforos?

Os vereadores podem requerer informação. O Poder Executivo não precisa esperar o pedido de informação, para responder a tais interrogações. Ainda, cada cidadão tem o direito à informação, garantido por lei, mas seria adequado esperar a explicação oficial para que possamos examiná-la e julgá-la, e verificar se tal ou qual justificativa está de acordo com o interesse público.  Mas, é certo que a modernidade tecnológica não violenta o interesse público.

Uma saída digna, além de responder a esse questionamento, seria o Poder municipal regulamentar o direito consagrado na Constituição, que é o chamado direito de petição, no exercício do qual a cidadania dirige-se, por escrito, ao Poder Público, propondo, sugerindo, criticando, em linguagem respeitosa, o que ache devido e próprio ao governo atender e realizar, ou não, sendo certo que o Poder Público tem a obrigação legal de responder, colocando, pois, à disposição da cidadania um instrumento efetivo de   participação popular.

O Poder político serve, ainda e fundamentalmente, para disseminar a teoria democrática e os direitos e garantias constitucionais, cujo exercício sempre incomoda os políticos de plantão, porque a democracia é sempre inacabada, sempre inquietando e semeando a consciência, que se faz social, até gerar direitos novos.

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