Literatura, cinema e debate marcam a agenda de fevereiro da Fundação do Livro e Leitura
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A palavra volta a ocupar o centro da cena cultural em fevereiro. Entre leituras compartilhadas, reflexões sobre fé e identidade, cinema que atravessa fronteiras e encontros em torno da poesia, a Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto divulga sua programação mensal com quatro atividades gratuitas e abertas ao público. A agenda começa nesta quarta-feira (4), às 20h, com o sarau do Grupo de Médicos Escritores e Amigos Dr. Carlos Roberto Caliento.
Coordenado pelo médico e escritor Nelson Jacintho, o encontro marca a retomada das atividades do grupo em 2026 e reúne escritores da cidade em uma noite dedicada à literatura, com leituras de textos autorais e troca de experiências entre autores e público.
Segundo o médico, o sarau propõe um espaço aberto e participativo. “Nós juntamos os escritores de Ribeirão Preto para apresentar suas obras. As pessoas leem, os outros aplaudem, comentam, dão suas opiniões. É uma reunião bem festiva, onde a literatura domina”, afirma. Ele complementa que o foco do encontro está na produção literária em suas diferentes formas, como contos, poesias e prosa.
Além das leituras, o encontro preserva o caráter de confraternização que já se tornou tradição do grupo. “Sempre temos salgadinhos e começamos com conversas, e depois acontece a reunião. É um encontro bem divertido”, destaca o coordenador.
Resenha Preta
No sábado (7), a Fundação recebe duas atividades. A primeira delas é o segundo encontro do Resenha Preta, às 10h, que propõe o debate “As vivências e conflitos da população negra em face ao crescimento evangélico nas periferias”. O ponto de partida da discussão é o livro A Primeira Pedra: Contos, do escritor Pedro Machado, que participa do encontro com mediação da produtora cultural Yú Souza, idealizadora do projeto.
Segundo Yú, o debate nasce da necessidade de compreender os impactos históricos e sociais do processo de evangelização sobre a população negra periférica, especialmente no apagamento de práticas culturais e religiosas de matriz africana. “Na periferia, a maioria da população é negra, e tudo o que é da cultura negra foi historicamente apagado. É importante entender o porquê a nossa cultura africana, nossa ancestralidade, foi sendo tratada como algo ruim nesse processo de colonização”, explica.
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Para ela, o encontro evidencia conflitos profundos entre fé, identidade e pertencimento que atravessam o cotidiano das comunidades. Nesse contexto, a literatura surge como ferramenta central para aprofundar a reflexão e estimular o autoconhecimento. “Esse encontro vem para ajudar a elucidar essas narrativas de fé, de religião e de literatura. O livro nos ajuda a nos entendermos enquanto pessoa, a refletir sobre esse processo de conflito, violência e até de redenção”, afirma Yú. Esta atividade contará com intérprete de Libras.




Cine Fórum
A outra atividade do sábado (7) é o Cine Fórum, mediado pelos Gêmeos do Cinema, André e Marcos de Castro, às 18h. O encontro promove a exibição e o debate do filme Babel (2006), dirigido por Alejandro González Iñárritu.
Segundo os mediadores, a escolha do longa reforça o compromisso do Cine Fórum com a exibição de produções fora do eixo predominante do cinema norte-americano. “Sempre que é possível, tentamos passar filmes de língua não inglesa, e Babel é uma produção internacional, falada em oito idiomas diferentes no seu áudio original, o que dialoga muito com a proposta do Cine Fórum e com o interesse do público da cidade por diretores renomados”, explica Marcos.
Ambientado em diferentes países e culturas, o filme conecta histórias por meio de acontecimentos aparentemente simples. Para os mediadores, a obra dialoga diretamente com o momento atual do mundo ao abordar a incomunicabilidade entre pessoas, povos e ideologias. “Hoje tudo é separado, parece que falamos línguas diferentes. Se você não escuta o outro, não entende, isso vira conflito”, afirma André.
O filme também evidencia como pequenas ações podem gerar consequências inesperadas em cadeia. “Uma atitude simples, até um gesto de gratidão, pode provocar um efeito dominó sem que a pessoa tenha noção de até onde isso pode chegar”, completa.
O debate após a exibição será construído a partir das impressões do público, valorizando a escuta e a troca de experiências. “A ideia é deixar o público falar primeiro, refletir se alguma ação já desencadeou algo que nem sabiam que estava acontecendo, discutir inclusão, empatia e ética”, destacam os Gêmeos. Segundo eles, Babel é um filme que exige atenção e sensibilidade. “Ele não é mastigado. É um filme que pede escuta. Se as pessoas se permitirem ouvir, muita coisa poderia ser evitada, no cinema e fora dele”, conclui Marcos.
Clube do Livro
A última atividade de fevereiro será o Clube do Livro, que retornou à agenda da Fundação neste ano. O encontro integra o tema central da 25ª FIL – Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto, “X, Y, Z, Alpha, Beta – Gerações Literárias”, e acontece no sábado (28), às 16h.
A proposta do mês é a leitura e o debate da obra Sobre a Tua Grande Face, da escritora Hilda Hilst, com mediação de Vitor Hugo Luís Geraldo.
Segundo o mediador, a escolha da autora está diretamente ligada ao recorte da Geração Y, ou Millennials, formada por pessoas nascidas entre 1980 e 1996 — período em que a produção literária da escritora ganhou maior projeção. “A ideia do Clube é escolher autores que tenham relevância dentro de cada período histórico de cada geração. No caso da Y, a Hilda Hilst teve uma produção muito forte nas décadas de 1980 e 1990, especialmente ao trabalhar temas como o sagrado e o místico, que atravessavam aquela geração”, explica Vitor.
O encontro será voltado à troca de interpretações entre leitores de diferentes idades, valorizando tanto quem já conhece a obra quanto quem terá o primeiro contato com a autora. “Todo mundo tem uma opinião sobre o que é sagrado, sobre Deus ou sobre o que está além das palavras. Essas aproximações são muito ricas”, afirma. Ele destaca ainda o caráter reflexivo da proposta. “Olhar para o sagrado é também olhar para si mesmo. A poesia, nesse sentido, auxilia a pensar nossas questões metafísicas, filosóficas e experiências pessoais”, conclui. Este encontro também contará com intérprete de Libras.
As atividades do Cine Fórum, Resenha Preta e Clube do Livro fazem parte do Projeto Biblioteca das Artes: Lucília Junqueira de Almeida Prado, aprovado no Edital Fomento CULTSP PNAB no. 29/2024, de Manutenção e Modernização de Bibliotecas no Estado de São Paulo.
Serviço
Sarau do Grupo de Médicos Escritores e Amigos Dr. Carlos Roberto Caliento
Data/Horário: 04/02 (quarta-feira), às 20h
Local: Sede da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto – Rua Professor Mariano Siqueira, 81, Jardim América
Aberto e gratuito
Resenha Preta – “As vivências e conflitos da população negra em face ao crescimento evangélico nas periferias”
Com Pedro Machado e Yú Souza
Data/Horário: 07/02 (sábado), às 10h
Local: Sede da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto – Rua Professor Mariano Siqueira, 81, Jardim América
Aberto e gratuito
Cine Fórum
Exibição do filme Babel (2006)
Data/Horário: 07/02 (sábado), às 18h
Local: Sede da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto – Rua Professor Mariano Siqueira, 81, Jardim América
Aberto e gratuito
Clube do Livro
Leitura de Sobre a Tua Grande Face, de Hilda Hilst, com mediação de Vitor Hugo Luís Geraldo
Data/Horário: 28/02 (sábado), às 16h
Local: Sede da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto – Rua Professor Mariano Siqueira, 81, Jardim América
Aberto e gratuito

