“Era Uma Vez… Brasil” reúne 100 estudantes em Campus de Ribeirão Preto
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Cem estudantes da rede pública de Ribeirão Preto, Brodowski e Serrana participam, entre os dias 9 e 15 de julho, da fase Campus do projeto “Era Uma Vez… Brasil”. A programação será realizada na EMEF Virgílio Salata, no Alto do Ipiranga, em Ribeirão Preto.
Ao todo, 111 estudantes foram convocados para a etapa – 75 de Ribeirão Preto, 30 de Serrana e seis de Brodowski – e 100 confirmaram presença no Campus. Durante sete dias, eles permanecerão imersos em uma programação que reúne oficinas de audiovisual, atividades de integração, vivências dedicadas às culturas afro-brasileiras e indígenas e a produção de curtas-metragens.
A edição de 2026 tem como tema “Quem conta nossa história. A participação indígena e afro-brasileira na formação do Brasil”. A proposta é ampliar a compreensão dos estudantes sobre a construção histórica do país, destacando contribuições de povos, comunidades, intelectuais, artistas, ativistas e lideranças que nem sempre ocupam espaço central nas narrativas tradicionalmente apresentadas.
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O Campus começa nesta quinta-feira, 9 de julho, às 10h, com a chegada e a acomodação dos estudantes. Ainda no primeiro dia, eles conhecerão a proposta da semana, participarão de uma conversa com ex-integrantes do projeto e terão a primeira atividade de introdução ao audiovisual, das 20h30 às 22h.
Da sala de aula à experiência prática
O “Era Uma Vez… Brasil” articula educação, história, arte e cidadania em diferentes fases. Depois das pesquisas, leituras e atividades desenvolvidas em sala de aula, o Campus aprofunda os conteúdos por meio de oficinas práticas, encontros culturais e produção coletiva.
Para Lorrayne Albernaz Domingues Camilo Landi, coordenadora do Campus em Ribeirão Preto, a imersão representa um dos momentos mais importantes do processo formativo. “O Campus é uma das etapas mais motivadoras e transformadoras do “Era Uma Vez… Brasil”. É quando os estudantes saem da sala de aula e passam a vivenciar uma experiência que dificilmente teriam no ambiente escolar convencional. É um período de convivência, troca de conhecimentos, aprendizado e desenvolvimento pessoal.”
Lorrayne explica que a mudança de ambiente contribui para que os jovens assumam uma participação mais ativa no aprendizado. “Durante a imersão, o estudante deixa de ser apenas alguém que recebe um conteúdo. Ele passa a criar, questionar, trabalhar em grupo e reconhecer que também faz parte da história.”
De participante a referência para uma nova turma
Uma ex-participante do projeto conversará com os estudantes no campus, a universitária Adelaide Guadalupe Oliveira Machado, de 21 anos, participante da edição de 2018 e atualmente estudante de Odontologia. Oito anos depois, ela retorna ao Campus para compartilhar com os jovens de 2026 como a experiência influenciou sua formação pessoal, acadêmica e profissional.
“Eu costumo dizer que existe uma Adelaide antes e outra depois dessa experiência. No Campus, eu vivi a História. Pude conhecer pessoas indígenas, conversar, fazer perguntas e compreender de forma mais ampla a importância dos povos originários e da população negra na construção da nossa identidade brasileira.”
Segundo Adelaide, o projeto também revelou possibilidades que antes pareciam distantes para uma estudante da escola pública. O contato com a arte, a cultura e o audiovisual ampliaram sua forma de se expressar e de reconhecer o próprio lugar na sociedade.
“O Era Uma Vez cria um espaço onde estudantes da escola pública descobrem que também podem criar, comunicar, produzir conhecimento, contar histórias e ocupar lugares que, muitas vezes, parecem distantes da sua realidade. O projeto enxerga o potencial desses estudantes e mostra que talento não depende da condição social, mas das oportunidades oferecidas.”
Atualmente, embora tenha seguido a Odontologia, Adelaide direciona parte da formação para a saúde coletiva, participa de ações com a população em situação de rua e busca conhecimentos na área de saúde indígena. Ela relaciona essas escolhas às vivências iniciadas no projeto.
“É muito emocionante voltar. Hoje posso compartilhar minha trajetória e mostrar aos estudantes que talvez eles ainda não consigam perceber o tamanho do impacto que essa experiência poderá ter na vida deles. É também uma forma de retribuir tudo o que o projeto me proporcionou”, acrescenta Adelaide.
A mensagem que pretende deixar à nova turma é direta: viver a experiência por inteiro, fazer perguntas, compartilhar ideias e permanecer aberta ao contato com realidades diferentes. “Talvez, durante o projeto, eles ainda não percebam tudo o que estão vivendo. Mas, anos depois, poderão olhar para trás e entender o quanto essa experiência ajudou a construir quem se tornaram”, afirma.
Oficinas preparam estudantes para os curtas
No dia 10 de julho, das 8h30 às 18h30, os estudantes serão divididos em quatro turmas para participar de oficinas de roteiro, interpretação, som e fotografia. As atividades apresentam diferentes etapas da produção audiovisual e oferecem os conhecimentos necessários para a criação dos curtas-metragens que serão gravados durante o Campus.
“Filmar com o celular é algo acessível e presente na rotina deles. Mas estudar roteiro, interpretação, fotografia e som, pensar uma narrativa e compreender como uma produção é construída são oportunidades que muitos ainda não tiveram. Eles passam a enxergar de outra forma aquilo que assistem e também o que produzem”, destaca a coordenadora do Campus Ribeirão Preto.
As gravações começam em 12 de julho, das 8h30 às 18h30, com os estudantes organizados em quatro grupos. A finalização ocorre em 14 de julho, entre 8h e 16h. Na sequência, os jovens participam de uma atividade sobre edição e montagem dos filmes.
Vivências afro-brasileira e indígena
A programação de 11 de julho acontece das 8h30 às 18h30 e será dedicada à vivência afro-brasileira, com participação de Paula Oyarinu, do Centro Cultural Orùnmilá, do Maracatu Baque Mulher e de mestre Rasta, responsável por uma oficina de capoeira. As atividades aproximam os estudantes de manifestações culturais ligadas à história, à resistência, à organização coletiva e à permanência de referências africanas e afro-brasileiras no país.
No dia 13 de julho, das 8h30 às 18h30, o Campus recebe integrantes do Centro de Culturas Indígenas da Universidade Federal de São Carlos — CCI/UFSCar. A programação inclui atividades teóricas e práticas sobre territórios, culturas e saberes indígenas. O coletivo reúne estudantes indígenas dos quatro campi da universidade e atua no fortalecimento das identidades culturais e do protagonismo dos povos originários no ambiente acadêmico.
“Queremos que os estudantes compreendam a história brasileira da forma mais ampla possível, considerando diferentes vozes e valorizando principalmente as contribuições dos povos indígenas e afro-brasileiros. A formação do Brasil não pode ser explicada a partir de uma única perspectiva”, acrescenta Lorrayne.
Convivência e trabalho coletivo
Além dos conteúdos históricos e das oficinas, a programação inclui atividades voltadas à convivência e ao desenvolvimento de competências socioemocionais. Durante a semana, os estudantes compartilham espaços, refeições, responsabilidades e processos criativos com colegas de diferentes escolas e municípios.
A expectativa da coordenação do projeto é que essa convivência fortaleça valores como empatia, cooperação, respeito à diversidade e pertencimento. O objetivo é que os estudantes desenvolvam senso crítico, criatividade, autonomia e capacidade de trabalhar em equipe.
O Campus termina em 15 de julho. Das 8h30 às 10h, os participantes realizam uma autoavaliação e uma dinâmica final. O encerramento das atividades está previsto para as 13h.
10 anos de “Era Uma Vez… Brasil”
Criado em 2016, o “Era Uma Vez… Brasil” completa dez anos em 2026. Ao longo desse período, o projeto passou por 35 cidades de seis estados (Bahia, Pernambuco, Ceará, São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná), envolveu 500 escolas públicas, impactando mais de 22,6 mil adolescentes. O projeto também contou com o apoio de patrocinadores, por meio de seis leis de incentivo, e com a participação de mais de 60 profissionais em suas diferentes etapas. Mais do que ensinar História, o projeto busca estimular pertencimento, pensamento crítico e transformação social entre jovens brasileiros.
Para Marici Vila, diretora executiva da Origem Produções, empresa idealizadora da iniciativa, esse percurso comprova a importância de aproximar os jovens de suas origens e da construção da cidadania. “Estudar a nossa própria História se torna cada vez mais fundamental para não repetirmos os mesmos erros do passado e podermos planejar um futuro melhor”.
Os números do projeto também são expressivos nas produções: nestes 10 anos foram 28.058 estudantes inscritos, mais de 17.132 histórias em quadrinhos (HQs) e vídeos produzidos pelos participantes e 777 estudantes e professores contemplados com a experiência de intercâmbio internacional em Portugal. Esta edição comemorativa propõe uma reflexão sobre quem conta a história do Brasil, quais vozes foram silenciadas ao longo do tempo e de que maneira a presença indígena e afro-brasileira foi determinante para a formação social, cultural e política do país.
Em 2026, o projeto acontece simultaneamente em nove cidades de três estados brasileiros: Salvador, Mata de São João, Camaçari e Jacobina, na Bahia; Recife e Belo Jardim, em Pernambuco; e Ribeirão Preto, Serrana e Brodowski, em São Paulo. A iniciativa envolverá centenas de professores e milhares de estudantes em atividades pedagógicas, oficinas artísticas, produções audiovisuais e experiências de intercâmbio cultural internacional. Produzido pela Origem Produções, o projeto é realizado pelo Ministério da Cultura e Governo Federal, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), com patrocínio de Grupo Moura, Rodonaves e Jacobina Mineração, apoios de Tronox, Tivoli, Civil Construtora e Copenor além da parceria com as Secretarias de Educação dos municípios participantes.
Sobre a Origem Produções
Origem Produções é uma empresa de consultoria e gestão de projetos criativos, com vocação consolidada para atuar em diversas áreas, como cultura, educação, sustentabilidade, esporte e responsabilidade social. Fundada em 2007, a empresa desenvolve, atualmente, trabalhos em todo o país e soma experiências no exterior. Com uma equipe capacitada e constantemente atualizada sobre as exigências legais e tendências nas diferentes áreas de atuação, a produtora vem se destacando no mercado e conquistando a confiança de clientes e parceiros com transparência.
Mais informações no site: www.eraumavezbrasil.com.br
FOTOS – crédito Isabela Ferraz










Serviço
Campus do projeto “Era Uma Vez… Brasil”
Data: 9 a 15 de julho de 2026
Local: EMEF Virgílio Salata
Endereço: Rua Japurá, 965 – Alto do Ipiranga – Ribeirão Preto (SP)
Participantes: 100 estudantes confirmados; 111 convocados — 75 de Ribeirão Preto, 30 de Serrana e seis de Brodowski
Programação
9 de julho – Chegada e integração
10h – Entrada dos estudantes
10h às 12h30 – Acomodação e organização dos quartos
12h30 às 13h30 – Almoço
14h às 16h – Apresentação da proposta do Campus, conversa com ex-participantes, apresentação dos monitores e organização do ambiente
16h às 18h30 – Atividade de introdução
20h30 às 22h – Introdução ao audiovisual
10 de julho – Oficinas de audiovisual
8h30 às 18h30 – Oficinas de roteiro, interpretação, som e fotografia, com os estudantes divididos em quatro turmas
20h30 às 22h – Atividade noturna
11 de julho – Vivência afro-brasileira
8h30 às 18h30 – Vivência com Paula Oyarinu, do Centro Cultural Orùnmilá; Maracatu Baque Mulher; e mestre Rasta, responsável pela oficina de capoeira
20h30 às 22h – Atividade noturna
12 de julho – Produção audiovisual
8h30 às 18h30 – Início das gravações dos curtas-metragens, com quatro turmas
20h30 às 22h – Atividade noturna
13 de julho – Vivência indígena
8h30 às 18h30 – Vivência com integrantes do Centro de Culturas Indígenas da UFSCar, com atividades teóricas e práticas sobre territórios, culturas e saberes indígenas
20h30 às 22h – Atividade noturna
14 de julho – Finalização dos curtas
8h30 às 16h – Finalização das gravações dos curtas-metragens
16h às 18h30 – Atividade sobre edição e montagem dos filmes
20h30 às 22h – Atividade noturna
15 de julho – Encerramento
8h30 às 10h – Atividade de autoavaliação e dinâmica final
10h30 às 12h30 – Organização para a partida
13h – Encerramento das atividades
