Maria de Maria recebe prêmio no Festival do Rio 2026
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O longa-metragem Maria de Maria, da diretora ribeirão-pretana Luiza Shelling Tubaldini, foi exibido no Festival do Rio e recebeu o Prêmio Olhar Brasil de Melhor Longa-Metragem de Ficção. A honraria é concedida pelo jornal carioca Correio da Manhã a produções que “transformam questões da realidade brasileira em linguagem cinematográfica”. O júri considerou que a obra se destacou “pela atualização dos códigos do western, pela aproximação estética com os quadrinhos e pela atuação de Nanda Costa”.
Ambientado nas décadas de 1930 e 1940, o filme acompanha Maria, uma ex-cangaceira grávida que sobrevive ao extermínio de seu grupo e tenta deixar para trás o passado violento. Em busca de uma nova vida, ela se estabelece em uma região do Centro-Oeste, onde precisa enfrentar ameaças que colocam em risco sua segurança e a família que tenta construir.
As paisagens da Chapada dos Veadeiros, em Goiás, têm papel importante na narrativa. A natureza aparece não apenas como cenário, mas como parte da jornada da protagonista, que encontra na relação com a terra uma possibilidade de cura e reconstrução.

Uma nova perspectiva para o faroeste
Conhecido pelas histórias de pistoleiros e duelos, o faroeste ganha uma abordagem diferente em Maria de Maria. A produção mantém referências aos clássicos do gênero, mas coloca uma mulher no centro da trama e inverte papéis tradicionalmente associados aos personagens masculinos e femininos.
Maria é apresentada como uma figura protetora e determinada, enquanto Zé Antônio, interpretado por João Campos, é um parceiro marcado pela sensibilidade e pela vulnerabilidade. A relação entre os dois se desenvolve em meio às dificuldades de adaptação e à luta para conquistar um lugar onde possam viver.
O elenco também conta com Antônio Grassi, no papel do latifundiário Dr. Aliomar, e César Ferrario, que interpreta o tenente responsável por perseguir Maria.


História tem relação com a ocupação do Brasil Central
A trama também se inspira na Marcha para o Oeste, programa de incentivo à ocupação do interior brasileiro promovido durante o governo de Getúlio Vargas. O contexto histórico ajuda a abordar os conflitos pela terra e as disputas de poder na região.
Com fotografia de Jacob Solitrenick, o longa combina elementos tradicionais do cinema de faroeste com uma perspectiva centrada na força feminina, na relação com a natureza e na construção de novos vínculos.
A proposta é homenagear o gênero cinematográfico e, ao mesmo tempo, apresentar uma protagonista que rompe com o modelo clássico do pistoleiro solitário.
