Promotor do GAECO de Franca alerta sobre crime organizado no agro
|
Getting your Trinity Audio player ready...
|
O avanço do crime organizado no agronegócio brasileiro foi tema de debate durante o painel “Ilícitos no Agro Brasileiro”, promovido pelo Insper por meio do Insper Agro Global, realizado no dia 11 de março, em São Paulo. O encontro reuniu especialistas dos setores público e privado para discutir os impactos da criminalidade nas cadeias produtivas do campo.
Entre os participantes esteve o promotor de Justiça Adriano Mellega, integrante do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) e reconhecido especialista na investigação e repressão à falsificação e contrabando de agrotóxicos. Mellega atua na região de Franca e tem se destacado no combate a organizações criminosas ligadas a esse tipo de crime.
Durante o debate, o promotor destacou que o crime organizado tem ampliado sua atuação no agronegócio, explorando vulnerabilidades logísticas do setor e o alto valor econômico das cadeias produtivas. Segundo ele, uma das principais frentes de atuação das organizações criminosas está na falsificação e no contrabando de defensivos agrícolas, mercado ilegal que movimenta grandes volumes financeiros e representa risco direto à saúde pública, ao meio ambiente e à competitividade do agronegócio brasileiro.
- Publicidade -
Mellega também alertou que rotas de transporte e escoamento da produção agrícola podem ser utilizadas por organizações criminosas para outras atividades ilícitas, como tráfico de drogas e contrabando. Para o promotor, o enfrentamento desse tipo de crime exige integração entre órgãos de investigação, setor produtivo e instituições de pesquisa, além do fortalecimento de mecanismos de rastreabilidade e fiscalização.
O painel teve como base o estudo “Ilícitos no Agro Brasileiro”, apresentado pelo pesquisador Alberto Pfeifer, que analisou como a expansão territorial do agronegócio e sua relevância econômica acabam tornando o setor vulnerável à atuação de grupos criminosos.
De acordo com o levantamento, os ilícitos no campo vão desde crimes ambientais, como desmatamento ilegal, garimpo e ocupações irregulares de terras, até delitos diretamente ligados à produção agropecuária, incluindo falsificação e contrabando de defensivos agrícolas, roubo de insumos, sementes e maquinário.
O estudo também aponta que propriedades rurais e rotas de escoamento da produção vêm sendo utilizadas como estruturas logísticas para o tráfico de drogas e armas. Em alguns casos, atividades agropecuárias legítimas, como a compra de terras e a criação de gado, acabam sendo utilizadas para lavagem de dinheiro por organizações criminosas.
Além de Adriano Mellega, participaram do debate Nilto Mendes, gerente do Comitê de Combate a Produtos Ilegais da CropLife Brasil, e o professor Leandro Piquet Carneiro, da Universidade de São Paulo, especialista em segurança pública e políticas públicas. A mediação foi do jornalista Marcelo Godoy.
Durante o encontro, especialistas destacaram que o avanço dessas práticas criminosas pode gerar perda de competitividade para o agronegócio brasileiro, riscos à sanidade animal e vegetal, além de danos à imagem internacional do país.
Entre as estratégias discutidas para fortalecer o combate aos ilícitos estão o aumento da rastreabilidade de produtos e insumos, o uso de tecnologias como satélites e inteligência artificial para monitoramento de áreas rurais e a ampliação da cooperação entre poder público, setor privado e instituições de pesquisa.
O agronegócio é um dos pilares da economia nacional, responsável por parcela significativa das exportações brasileiras e do Produto Interno Bruto (PIB). Por isso, especialistas alertam que o enfrentamento ao crime organizado no setor exige ações coordenadas que integrem segurança pública, inteligência econômica e políticas de sustentabilidade.

